#031 – Estágios de Consolidação das Fraturas

Os ossos são estruturas muito resistentes compostas em sua maioria por uma matriz mineral de fosfato de cálcio (CaPO4) e uma matriz orgânica basicamente composta por colágeno. A matriz mineral é extremamente dura, porém quebradiça (como o vidro) e por este motivo é importante que o osso possua a matriz orgânica de colágeno, pois o […]

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Os ossos são estruturas muito resistentes compostas em sua maioria por uma matriz mineral de fosfato de cálcio (CaPO4) e uma matriz orgânica basicamente composta por colágeno. A matriz mineral é extremamente dura, porém quebradiça (como o vidro) e por este motivo é importante que o osso possua a matriz orgânica de colágeno, pois o colágeno dará a resistência necessária para que o osso tenha uma certa flexibilidade e não quebre com tanta facilidade. Quando as forças que agirem sobre os ossos excederem este limite elástico, pode haver a ruptura do tecido ósseo, levando o osso a uma fratura. Por definição, fratura é “uma solução de continuidade óssea” o que em termos práticos nada mais é do que a quebra ou ruptura de uma ou várias partes de um osso (Dorland).

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Fratura de Escafóide sem desvio

 

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Fratura de Colles com desvio

 

Para que o osso se recupere desta fratura e possa consolidar, é necessário que dois fatores estejam presentes neste processo: um fator mecânico e outro fator biológico.

  1. Fator Mecânico: este fator está relacionado com a estabilização da fratura por imobilização com gesso ou cirurgia para a colocação de placas, parafusos ou hastes. A estabilização da fratura é importante para que as bordas fraturadas entrem em contato para que haja a formação do calo ósseo e posteriormente o osso consolide sem complicações.
  2. Fator Biológico: este fator está relacionado com o aporte sanguíneo e a chegada de substâncias essenciais na consolidação das fraturas. Dentre centenas de tipos de células que precisam chegar ao foco da fratura para que haja a recuperação óssea, podemos relacionar células sanguíneas, mediadores químicos inflamatórios, células osteogênicas e células de preenchimento.

Portanto, se uma fratura está bem estabilizada (fator mecânico) e tem um bom aporte sanguíneo (fator biológico) a chance de sua consolidação é de 100%. Porém, se um ou ambos os fatores falharem podemos ter complicações no processo de consolidação das fraturas. As principais complicações neste processo são as Não-Consolidações e as Pseudoartroses.

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Pseudoartrose de tíbia esquerda em uma criança

 

Estágios de Consolidação das Fraturas

1º Estágio (Hematoma): Esta é fase que ocorre logo após ao trauma que levou à fratura. Ocorre um grande sangramento local, e no foco da fratura ocorre acúmulo de células, sangue e líquido. Este estágio é caracterizado por forte dor e um grande edema no local da fratura.

2º Estágio (Inflamação): Esta fase é caracterizada pela proliferação de células inflamatórias, importantes na limpeza do foco da fratura. Nesta fase haverá angiogênese (neoformação capilar) e isto facilitará a chegada de fibroblastos, condroblastos, fatores de crescimento tecidual, interleucinas, prostaglandinas e células mesenquimais.

3º Estágio (Calo Mole): Popularmente, as pessoas dizem que neste estágio o osso “colou”. Neste estágio ocorre a formação de um calo provisório formado de tecido cartilaginoso e fibrocartilaginoso, que serve como uma espécie de cola biológica que estabiliza o segmento fraturado, preparando-o para o processo de consolidação da fratura de fato.

4º Estágio (Calo Duro): Depois que o osso estiver “colado” e bem estabilizado, aquele tecido fibrocartilaginoso formado no estágio anterior é substituído gradualmente por tecido de matriz calcificada formando um calo de tecido ósseo no foco fraturado. Este calo ósseo é facilmente visualizado em uma radiografia simples e marca a consolidação óssea de fato.

5º Estágio (Remodelação Óssea): O processo de remodelação óssea perdura por toda a vida da pessoa, onde o excesso de tecido ósseo será reabsorvido, e em áreas com menos tecido ósseo teremos maior formação óssea. Desta forma, calos ósseos exuberantes podem diminuir de volume, porém é muito difícil de desaparecerem servindo como um tipo de “cicatriz” do osso fraturado.

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